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Uma obra sem precedentes

14/10/2010 12:51
Construir a maior usina hidrelétrica do país na época, com capacidade de gerar uma potência elétrica de 1.216 MW de potência, exigiu a contratação de profissionais estrangeiros, principalmente ingleses, e a importação de equipamentos da Itália, Suécia, Estados Unidos, Suíça, Canadá e Japão, mas...

História da construção da Usina de Furnas

14/10/2010 12:25
Conta a história que foi o engenheiro da Cemig Francisco Noronha quem descobriu as Corredeiras das Furnas, quando saiu para pescar a convite da família Mendes Júnior. Era sabido que a Cemig já procurava no Rio Grande um lugar ideal para construir uma usina. Diante de um cânion longo e...

Águas do Lago de Furnas
 

O Lago de Furnas tem volume equivalente a 2,6 bilhões de metros cúbicos. Em época de fortes ventos ocorrem ondas, dando a impressão de ser um braço do mar. Deságuam no Lago por toda sua extensão inúmeras cachoeiras e cascatas, identificando a região como verdadeiro paraíso. Estes aspectos despertam várias atividades náuticas, reunindo turistas e moradores nos atrativos de pesca, caça subaquática, natação, trekking, jet ski, paraglider, banho de sol,entre outros. 

Sua História

Se construir túneis e galerias, para desviar o curso dos rios Grande e Sapucaí, desafiou a habilidade técnica de engenheiros e exigiu esforços de operários, convencer os proprietários de terras dos municípios da região a vendê-las para a Empresa, em nome do interesse nacional, não foi mais fácil.
Nem José Cândido Barbosa, um dos primeiros e únicos a negociar com Furnas "sem entrar em demanda", se convenceu fácil de que as águas fossem alagar suas terras, localizadas no município de Guapé. "Eu fiquei desconfiado porque vieram pedir para demarcar minhas terras e só botavam estacas em terra boa. Fiquei com medo que eles quisessem era invadir a terra da gente".
Depois de consultar um advogado, que explicou que as melhores terras geralmente ficam nos vales, finalmente se decidiu. "Pensei... Ah, vou vender esse trem, porque tudo custou meu suor mesmo, não recebi herança de ninguém. Fui lá e vendi". O valor pago pela Empresa ele não lembra, mas garante que os dois cheques que recebeu foram suficientes para comprar a fazenda onde mora hoje, que lhe custou seis milhões de cruzeiros, e revela que ainda sobrou dinheiro.

Nem todo mundo se convenceu tão fácil. Houve gente para quem nem o dinheiro oferecido, nem a ameaça de ver tudo ficar debaixo d´água era suficiente para abandonar a terra. A maioria recebeu o valor venal, depositado em juízo pela Empresa.
Mas, uma certa dona Clarisse de Souza Rodrigues deu mais trabalho aos advogados de Furnas. Nem mesmo a carta do presidente Juscelino a convenceu de vender as terras. Dona da fazenda Corredeiras, que abriga hoje as instalações da usina e o bairro, ela lutou com unhas, dentes, água fervente e tiros de carabina para não ser desapropriada.
Hoje falecida, é seu filho José Rodrigues Filho, o Vinho, ex-funcionário de FURNAS, que relata que o único que conseguia conversar com ela era o advogado Aldo Hildo Motta. "Minha mãe era brava e para ela as terras não tinham preço. Furnas oferecia dinheiro, fazendas melhores que a nossa e ela não aceitava nada. As obras começaram com ela dentro do canteiro".
Motta, depois de lhe dar presentes, levá-la ao Rio de Janeiro, encheu os olhos de dona Clarisse com um sobrado alugado pela Empresa na nova São José da Barra, todo mobiliado, "com geladeira e tudo mais que só milionário tinha na época. Ela nunca tinha visto nada igual". O aluguel do sobrado por cinco anos somado a 2,7 milhões de cruzeiros, "em notas bonitas, douradas", fizeram Clarisse mudar-se com a família. "O dinheiro ela emprestou, guardou, acabou. Ela morreu numa casinha humilde, na rua Alagoas".
Hoje, Vinho, que trabalhou como servente, zelador, ajudante de cozinha, cozinheiro e garçom na Casa de Visitas de Furnas, sonha em comprar áreas que ficavam na antiga propriedade e que não foram utilizadas pela Empresa. "Se FURNAS colocar à venda esses remanescentes, eu quero comprar em memória dos meus pais, que amavam aquelas terras".

PASSEIO DE LANCHA NO LAGO DE FURNAS


A Usina e as Comunidades do Lago de Furnas

No dia 9 de janeiro de 1963 o túnel que desviou o curso do rio Grande para a construção da Usina de Furnas foi fechado e as águas que formaram um dos maiores reservatórios do mundo, criou praias, formou cânions e cachoeiras inundou vilarejos e mudou para sempre a história dos 34 municípios que ficam ao longo dos 1.440 km2 de extensão do Lago de Furnas.

A sede do município de Guapé ficou praticamente submersa, o que levou à construção de uma nova sede em local definido pela população. O distrito de São José da Barra, então pertencente a Alpinópolis e emancipado em 1994, ficou integralmente debaixo das águas e deu lugar à "Nova Barra", que a pedido do padre Ubirajara Cabral, pároco local, foi construída pela Central Elétrica de Furnas na forma de um banjo.

A maioria dos municípios possuía vocação agropecuária, mas com o alagamento das áreas produtivas diversificaram suas atividades. Surgiram pequenos comércios e o turismo, ainda pouco explorado, apresenta-se hoje como opção natural para geração de renda na região. São cerca de 260 empreendimentos turísticos, entre hotéis, pousadas e clubes náuticos, de acordo com a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) que movimentam a economia local, gerando empregos e impostos para os municípios.

Impostos
Apenas os impostos gerados pela produção de energia na Usina de Furnas respondem pela maior parte dos recursos de cidades como São João Batista do Glória e São José da Barra que, por sediarem as instalações da usina, dividem meio a meio o ICMS pago pela Empresa.

As demais cidades também são beneficiadas e recebem, proporcionalmente à área alagada, a Compensação Financeira dos Recursos Hídricos (CFRH).

Balsas
Como o sistema viário, composto na maior parte por estradas vicinais, também foi inundado pelo reservatório, a Empresa disponibilizou balsas à população local. Ao todo são 15 embarcações, sendo três à jusante e 12 à montante da barragem, operadas em convênio com 11 prefeituras. Além do investimento inicial, FURNAS arca com os custos de manutenção. O transporte para pedestres é gratuito, mas a renda obtida com o transporte de veículos fica integralmente para o município.

Outros benefícios
Outros benefícios diretos aos municípios, criados pela presença da Usina de Furnas, advêm da política de meio ambiente e responsabilidade social da Empresa.

A estação de Hidrobiologia e Piscicultura, implantada na década dos 70, além de produzir espécies nativas como Dourado, Trairão, Piau Três Pintas, Piracanjuba, Curimbatá e Pau Caranha, para repovoar o reservatório, faz a distribuição de Tilápias invertidas para os produtores rurais de São José da Barra.


São fornecidos cerca de 150 mil alevinos por período reprodutivo a produtores selecionados pela Emater, segundo o biólogo Paulo Sérgio Formágio. Um deles é Nelson Alves Batista, proprietário do sítio Vargem dos Pinheiros. Em 2002, ele recebeu o primeiro lote de alevinos/juvenis de Tilápia Nilótica e a orientação profissional dos técnicos da piscicultura de Furnas. Hoje ele se diz satisfeito com o resultado e com a produção de cerca de 90 toneladas/ano.

A estação também realiza o levantamento das comunidades de peixes de cada reservatório das usinas em operação no Rio Grande, Paranaíba e Paraíba do Sul e emite relatórios para órgãos ambientais, como Instituto Florestal e Ibama. Além disso, avalia a qualidade da água em termos ambientais, medindo o grau de poluição através dos níveis de fósforo e nitrogênio.

Outra atividade que beneficia diretamente os municípios vizinhos à usina é realizada pelo Horto, que produz cerca de 80 mil mudas/ano de espécies nativas cultivadas para o reflorestamento de parte da mata ciliar e destinadas à arborização das cidades banhadas pelo Lago de Furnas.

Horta e o Pomar Comunitário, recém implantado, também são projetos que fornecem alimentos para famílias carentes de comunidades próximas e entidades beneficentes.

fonte: furnas.com.br